Entenda o que é a internação compulsória de dependentes químicos

dependente químico sendo levado para internação compulsória

 

A dependência química é um dos principais problemas de saúde pública do mundo. Segundo uma pesquisa recente, só no Brasil, 28 milhões de pessoas afirmam ter algum parente viciado em drogas naturais, sintéticas ou semissintéticas, enquanto que 6% da população têm algum transtorno psiquiátrico em virtude da dependência química.

Dessa forma, falar do tratamento é falar de uma urgência e de uma necessidade que envolvem toda a sociedade. Dependentes químicos não só arriscam a sua vida e o seu futuro com o consumo de substâncias nocivas ao organismo, como ainda afetam toda a família, a vizinhança e seus amigos. Ver uma pessoa querida num estado de total fragilidade física e mental, como o ocasionado pelas drogas, é algo complicado, que machuca e fere até mesmo quem não tem nenhum tipo de dependência.

Por isso, são muitas as soluções que as pessoas utilizam para tentar tirar quem elas amam dessa grave doença. Elas procuram ajuda de especialistas, tentam conversar, levam o dependente para terapias e sessões de narcóticos e buscam impedir que ele volte a consumir drogas. Ainda assim, quando o dependente não percebe que ele está destruindo sua própria vida, nada disso adianta, e o resultado são tentativas frustradas, sem êxito algum.

Não é à toa que, cada vez mais, tem se recorrido à internação compulsória, uma decisão final que, apesar de difícil, pode ser o ponto de virada para uma vida e para dias muito melhores. Extremamente recomendada em casos quando a doença atingiu patamares extremos, como roubos, agressividade e violência, ela está prevista na lei e tem como finalidade garantir a sobrevivência e bem-estar do dependente.

 

Os dois tipos de internação compulsória

A Lei Federal de Psiquiatria (Nº 10.216, de 2001) prevê duas situações de internação quando o dependente não deseja ser internado. Em ambos os casos, ela pode ser conseguida através de uma ordem de justiça, em que a pessoa é levada para clínicas de reabilitação para poder realizar um tratamento efetivo e de qualidade.

Uma situação é quando existe o apoio familiar, a chamada internação involuntária. Nesse caso, algum parente, ao ver que se esgotaram todas as possibilidades e alternativas de tratamento, pede para o Ministério Público Federal a legalização de uma recuperação forçada para o acometido pela dependência química. Esse pedido deve ter um protocolo escrito e assinado por um médico psiquiatra, com registro médico ativo, para comprovar a existência de um distúrbio e de um vício. No entanto, os próprios médicos e dirigentes da clínica de habilitação podem fazer a internação, bastando apenas que o pedido seja feito em até 72 horas, para se evitar o cárcere privado.

Já a outra situação é quando a internação não tem respaldo familiar, seja por falta de apoio ou então porque a família não pôde ser localizada. Um médico realiza um pedido para o juiz competente solicitando que a pessoa seja internada e afirmando que ela não tem controle nem físico nem psicológico para decidir a respeito de sua própria internação, resultando na chamada internação compulsória. Assim, se o juiz permitir, o dependente é internado em alguma clínica pública ou escolhida pelo médico, de modo que ele poderá ter uma nova história e uma nova chance em sua vida.

 

Dentro da clínica

Apesar de ser uma decisão difícil e árdua, deve-se ressaltar que a internação é a melhor forma de a pessoa poder tratar de sua doença. Afinal, é ali, com especialistas no assunto, como psicólogos, médicos e assistentes sociais, que o dependente poderá se livrar do vício. Há desde terapias medicamentosas e neurológicas até sessões de psicanálise, em que os problemas do paciente são abordados desde sua raiz, fortalecendo sua condição física e seu estado mental.

Além disso, ele pode contar com o apoio de pessoas que estão passando pelo mesmo problema, conhecendo casos de superação e descobrindo que tudo tem volta. Atividades lúdicas, esportes e um espaço de convivência saudável, longe das drogas, complementam os benefícios da internação, que, mesmo compulsória, tem apenas um objetivo: ajudar a pessoa a trilhar um caminho melhor, mais tranquilo e com mais liberdade e saúde.

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